A minha segunda prática com textos de lei, foi também muito interessante e produziu resultados interessantes (um bimestre depois om grupo dessa turma produziu sozinho um projeto de lei, veja este trabalho aqui)
Para começar dei uma aula teórica sobre textos injuntivos (finalidade, gêneros mais comuns, ouso dos tempos verbais imperativo e infinitivo, comando de ação).
Preparei um material com a lei Bernardo ou Da Palmada (LEI No
- 13.010, DE 26 DE JUNHO DE 2014) e os trechos do ECA modificados por essa lei.
Primeiro, pedi que os alunos criassem um texto que legislasse sobre a proteção à criança, para isso orientei muito superficialmente a estrutura do gênero (número e data, apresentação do conteúdo, o que era caput, incisos e parágrafos).
Depois, através de perguntas dirigidas a toda a classe fui demonstrando aos alunos as necessidades de definir conceitos, responsáveis, ações, etc. Assim fomos construindo uma ideia de "clareza e objetividade".
(Os alunos a princípio ficavam irritados de ter que definir tudo, por exemplo, definir o conceito de criança, mas ao serem problematizados artigos genéricos que não limitavam o conceito, eles perceberam que a eficácia da lei está exatamente nessa definição)
Com esses dois conceitos em mente, lemos então os trechos do ECA, já previamente selecionados. Voltei a questão estrutural do gênero, mostrando a organização do texto, a definição de conceitos, por exemplo, o que é criança, o que é jovem. e levando os alunos a perceber que faltava clareza em alguns conceitos nesta lei (agressões físicas, por exemplo).
(Nesse ponto, alguns alunos observaram as dificuldades de que colocar a lei em prática devido ao comando genérico e impreciso. Essa observação além de reforçar a lição anterior, abria caminho para compreender melhor as mudanças colocadas pela lei 13010)
Depois, entreguei aos alunos uma cópia da Lei e pedi que fizessem exatamente o que ela mandava fazer (substituir, retirar os trechos do ECA), procedendo assim a uma atividade prática de recortar e colar, emendando os novos trechos trazidos pela lei da ao lei mais antiga do ECA.
(Essa etapa, extramente prática, foi muito engraçada, porque os alunos não compreendiam os comandos de ação da lei 13.010 embora esses comando fossem muito claros e precisos. Só então eles experimentaram na pele o texto injuntivo)
A partir de então, os alunos foram levados a refletir sobre as mudanças realizadas pela Lei 13010, e a realizar um texto argumentativo sobre a lei.
Com essa atividade eu pude:
a)Fazer com que os alunos manipulassem concretamente um texto de lei.
b)Estimular a percepção da necessidade de precisão e definição necessários para que o comando de ação possa ser executado
c)Desenvolver o senso crítico dos alunos, mostrando que para construir uma opinião é necessário conhecer o objeto de discussão.
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terça-feira, 6 de janeiro de 2015
Textos Injuntivos 1: Construção de um projeto de Lei
Um gênero textual que trabalha como a estratégia injuntiva que dá uma aula prática muito legal é a lei. Fiz dois trabalhos diferentes com lei e que deram resultados muito legais. Aprendi isso, através do livro da Magda Soares, que trazia como exemplo de texto injuntivo um trecho do ECA.
Preparei, então em anos diferentes duas abordagens desse gênero.
A 1ª abordagem foi com uma turma de 9º ano em 2012 (nessa época eu ainda não tinha o hábito de registrar minhas aulas com fotos).
Na época estava sendo muito comentada a legalização da maconha e os alunos optaram por esse tema. Inclusive foi adotada a leitura do número de Veja que trazia este assunto.
Como a turma era pequena, cada aluno assumiu uma perspectiva específica do assunto a partir da "personificação" dessa perspectiva que ele deveria representar em um debate: os alunos assumiam a identidade de presidente de uma ONG de defesa do uso da maconha, outro era um especialista em medicamentos, outro era um farmacêutico, um era deputado, outro era representante de uma ONG que auxiliava famílias de dependentes químicos, um era presidente da associação das Clinicas de tratamento de dependentes químicos e por aí vai.
Cada aluno deveria pesquisar o uso da maconha de acordo com essa perspectiva adotada e criar um dossiê (texto informativo) com essas informações.
A partir do dossiê, o aluno dispunha de base o suficiente para construir uma texto dissertativo defendendo a sua opinião sobre a legalização ou não da maconha.
Devidamente embasados, foi realizado um debate público, no qual cada aluno deveria representar seu papel (foi pedido inclusive que viessem vestidos a caráter), simulando assim os debates que as Câmaras e Senado fazem com os representantes sociais durante o processo de criação de uma lei.
No debate, a troca de informações e defesa de opiniões diferentes, a apresentação de problemas e custos, dificuldades e direitos conduziu o debate para um meio-termo, no qual os alunos decidiram pela legalização apenas para fins medicinais. Com base nesses resultado, os alunos construíram um projeto de lei, que dispõe sobre o uso da maconha para fins medicinais, apresentando inclusive a justificativa como todo projeto de lei deve ter.
Preparei, então em anos diferentes duas abordagens desse gênero.
A 1ª abordagem foi com uma turma de 9º ano em 2012 (nessa época eu ainda não tinha o hábito de registrar minhas aulas com fotos).
Na época estava sendo muito comentada a legalização da maconha e os alunos optaram por esse tema. Inclusive foi adotada a leitura do número de Veja que trazia este assunto.
Como a turma era pequena, cada aluno assumiu uma perspectiva específica do assunto a partir da "personificação" dessa perspectiva que ele deveria representar em um debate: os alunos assumiam a identidade de presidente de uma ONG de defesa do uso da maconha, outro era um especialista em medicamentos, outro era um farmacêutico, um era deputado, outro era representante de uma ONG que auxiliava famílias de dependentes químicos, um era presidente da associação das Clinicas de tratamento de dependentes químicos e por aí vai.
Cada aluno deveria pesquisar o uso da maconha de acordo com essa perspectiva adotada e criar um dossiê (texto informativo) com essas informações.
A partir do dossiê, o aluno dispunha de base o suficiente para construir uma texto dissertativo defendendo a sua opinião sobre a legalização ou não da maconha.
Devidamente embasados, foi realizado um debate público, no qual cada aluno deveria representar seu papel (foi pedido inclusive que viessem vestidos a caráter), simulando assim os debates que as Câmaras e Senado fazem com os representantes sociais durante o processo de criação de uma lei.
No debate, a troca de informações e defesa de opiniões diferentes, a apresentação de problemas e custos, dificuldades e direitos conduziu o debate para um meio-termo, no qual os alunos decidiram pela legalização apenas para fins medicinais. Com base nesses resultado, os alunos construíram um projeto de lei, que dispõe sobre o uso da maconha para fins medicinais, apresentando inclusive a justificativa como todo projeto de lei deve ter.
sábado, 20 de setembro de 2014
Textos Injuntivos
Para conhecer um pouco mais sobre textos injuntivos, clique aqui.
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