quinta-feira, 8 de outubro de 2015

O incurável preconceito

               Júlio era um garoto como qualquer outro. Gostava de futebol, passeava com amigos, adorava músicas, era fã de filmes. Tinha uma vida normal, como a de qualquer adolescente de dezessete anos, só possuindo uma diferenciação: Ele gostava de homens. E não apenas como amigos, mas namorava homens e não possuía nenhum interesse romântico em mulheres. Apesar disso, sempre foi aceito por seus amigos e família. O único que não aceitava a opção sexual de Júlio era aquele com quem ele mais se importava: Seu pai.
                Desde os 15 anos, quando assumiu sentir atração por homens, Renato, pai de Júlio, nunca mais o tratou de mesma forma. Nascido e crescido sobre os cuidados de uma cultura interiorana extremamente machista, foi ensinado que a homossexualidade não era algo normal e devia ser combatida. Vivia a procura de um meio de tornar seu filho um heterossexual, mas nunca obteve sucesso. Desde surras a idas forçadas a night clubs, de tudo Júlio já havia enfrentado, mas de nada adiantou.
                Foi então que um dia, caminhando para a escola, Júlio teve uma sensação esquisita. Começou a olhar para trás insistentemente, sentia que estava sendo seguido, mas nada via. E sentiu uma picada no braço. Mal viu o causador da dor, uma injeção vinda de um estranho, e logo caiu no sono.
                Em um pulo, Júlio acordou, em um quarto escuro e que fedia a mofo. Meio tonto olhou para os lados, para frente e tentou se mover. Sua tentativa fora em vão, pois logo percebeu que estava amarrado. Até que entrou na sala o estranho sujeito que o havia aprisionado. Com um jaleco e óculos, ele o observava e mexia em alguns potes que apresentavam estranhas substâncias. Assustado, Júlio perguntava o que estava ocorrendo, e a resposta que obteve o deixou em extremo choque:
                - Vou curá-lo. Você sofre da homossexualidade, que está virando uma epidemia. Seu pai me procurou, e como bom cientista que sou, criarei a cura dessa terrível doença. E você será meu primeiro paciente!
                Assim que se ausentou, Júlio começou a tentar fugir. Com muito esforço, tentava alcançar a faca próxima a sua mão, com a qual cortaria a corda que o prendia. Com muito custo conseguiu, e então, rapidamente cerrou as cordas. Em silêncio, caminhou até a janela. Começou a pulá-la até que o maluco cientista o avistou e gritou, correndo em sua direção.
                Com toda rapidez que conseguia, Júlio corria e gritava pela estrada vazia. Estava em um lugar desconhecido e desabitado, acreditava que seria seu fim.  Após trinta minutos correndo sem parar, não aguentava mais. Sentiu a mão do médico em seu ombro e quando já ia desabar no chão, viu que alguém já havia caído e esse alguém não era ele. Ao seu lado encontrava-se o maluco cientista, derrubado pelo tiro de uma arma de chumbo. Seguiu a direção de onde veio o tiro e avistou dois policiais, que correram em sua direção para ajudá-lo.

                Júlio, cansado dos preconceitos e ataques que recebia, foi direto a delegacia onde fez uma denúncia. Contou tudo o que seu pai e o cientista tramavam e ambos foram presos. Em busca de uma sociedade mais igualitária e respeitosa, Júlio passou a promover movimentos em todo o mundo, nos quais defendia o respeito e lutava contra a homofobia. Após anos de intenso trabalho, conseguiu promover a paz em mais de cem países diferentes, e viveu feliz para sempre, lutando por aquilo que mais desejava: o respeito e a paz entre os homens indiferente de sua opção sexual. 

10 comentários:

  1. Yara, parabéns, pois seu texto ficou ótimo. Embora sua extensão tenha atrapalhado um pouco na estrutura do texto, quer dizer, em minha opinião ficou um pouco confuso qual era cada parte do conto, como por exemplo se o problema do conto era o fato do garoto ser homossexual ou o fato dele ter sido levado por um cientista... seu texto ficou muito bom. Com subjetividade e uma história bem tramada, você trouxe reflexões sobre a questão da homofobia e a difícil aceitação por parte de muitos, principalmente quando estamos falando sobre uma cultura mais arcaica e rígida, como a trazida por você em sua história. Além disso tudo, praticamente todo o texto segue a norma padrão da língua portuguesa e seu tema é de suma importância. Enfim, você foi muito feliz nesta trama.

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  2. Parabéns,pelo seu texto Yara.Embora tenha ficado um pouco extenso demais,e um pouco confuso em algumas partes,você usou uma linguagem ótima e fez um texto com um ótimo tema.A homofobia é algo muito grave.Pessoas são mortas devido a homofobia e é bem difícil de ser aceita.Parabéns novamente pelo seu texto!

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  3. Um tema realmente bem escolhido, a homofobia vem crescendo muito ultimamente, e por isso é necessário tomar medidas contra esse preconceito. O texto ficou um pouco longo mas está excelente. A linguagem está na norma padrão e não encontrei erros ortográficos. Meus parabéns!

    Bruno Ferreira

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  4. Yara, seu texto ficou muito bom, porém com alguns equívocos que acabaram por deixar, nós leitores, confusos. Você criou muito bem sua história, explorando um tema de muita discussão na sociedade atual, e que cada vez mais está presente próximo de nós, evitando uma fuga do assunto.

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  5. Parabéns Yara, seu texto ficou muito bom, embora em alguns momentos ele tenha ficado um pouco confusa talvez pelo fato de sua extensão ou muitas informações. O tema abordado na história foi muito criativa e muito bem escolhida, pois é um assunto muito comentado por toda a sociedade e trás muitos discussões, pois a homofobia ainda é muito difícil de ser aceita por todos. Bom, mas seu texto em si ficou muito bom. Parabéns!

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  6. Um tema muito bom para um texto que de certa forma ficou ótimo, só não excelente, devido a sua grande extensão e excesso de algumas informações desnecessárias tornando-o um pouco confuso. Você apresentou claramente a estrutura de um conto, não possuiu quaisquer tipos de erros ortográficos ou coerência e apresentou um tema polêmico que trás muitas opiniões adversas, a homofobia, concordem ou não, tem de parar logo, só porque uma pessoa gosta de uma pessoa do mesmo sexo, não quer dizer que ela é pior ou melhor que os outros, não deve ser vista de modo diferente pelos outros por um motivo tão fútil. Logo Yara, só me resta lhe parabenizar pelo ótimo texto!

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  9. Ótimo texto Yara! Seu conto ficou maravilhoso, apesar de um pouco cansativo! Você abordou um assunto bem cotidiano e soube falar muito bem sobre ele.
    A estrutura e a linguagem ficaram ótimas. Parabéns!

    IGOR VARIZ

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  10. Yara, seu texto está fascinante. Como dito, seu texto foi considerado muito extenso, o que ocasionou uma certa desordem, mas sua estrutura está muito boa, com originalidade no conto. Muitas vítimas de homofobia sentem-se impelidas a reprimir sua orientação sexual, seus hábitos e seus costumes, sendo frequente a ocorrência de casos de depressão. É importante salientar que todo ser humano, independente de sua sexualidade, tem o direito ao tratamento digno e a um modo de vida aberto à busca de sua felicidade. A procura de ajuda psicológica e da Justiça é essencial para que a discriminação homofóbica afete da menor maneira possível a vida das vítimas.

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